domingo, 15 de abril de 2007

VALEU A PENA



Os barcos são só para ilustrar:
(as etapas, a viagem, qual é a direcção)

O Poema, esse sim, é para pensar:
(Que Vida? Que balanço? Que conclusão?)



Barcos - colagens e pintura: Michel e Margri


























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DEPOIMENTO

Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um Barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
Um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
Entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
Quando a noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

Migu
el Torga, Em Orfeu Rebelde (1970)



Como Torga, faço por vezes o meu balanço. Não é obrigatório estar na recta final (há tantas etapas ao longo do percurso ...)
E, cada vez mais, a minha conclusão se assemelha à dele:

Com as dificuldades para ultrapassar; a alegria para reconfortar ; os erros para aprender e reflectir; com os outros para dar, para receber , ou para conhecer e tolerar a diversidade; com a dor para sair mais forte e apreciar a sua ausência, a beleza e o amor para confiar ....... com todas essas tempestades e alguma bonança, também digo que valeu e continua a valer a pena.
(E quando a Vida vale a pena, a Morte já não é um problema).



21 comentários:

A.S. disse...

Os Poemas de Torga deixam sempre uma mensagem fortissima! É um dos meus ídolos...


Bjosss

Anónimo disse...

Eu vejo noutra perspectiva: o poema ilustra um trabalho muito bonito. Mas o que me encantou foram os gatos do post anterior.
Líndissimos.
Beijinhos.

Anónimo disse...

Margri:
O Torga é sublime!!
E avida vale sempre a pena, em qualquer fase do percurso, mesmo quando o barco baloiça e a tormenta é grande; haverá sempre um porto de abrigo.
M.C.

Mofina disse...

Prontinha para embarcar! Posso?...

Bjinhos

Je Vois La Vie en Vert disse...

Pour notre voyage dans la vie, nous ne devons pas forcément utiliser les autoroutes car les petits chemins sinueux que nous empruntons nous permettent d'apprécier les merveilles de la nature ou les petits coins que nous n'aurions pas vus sur les grandes routes et nous pouvons toujours faire un arrêt enrichissant dans un petit village.
Um beijinho verde

teresa g. disse...

Epa, isto está um pouco tétrico! Não está ninguém com pressa, pois não?!
As colagens estão lindas, principalmente a segunda ;o)
(O poema também gostei, claro)
Bjinhos

BG disse...

Em qualquer lugar do percurso se pode encontrar beleza e razões para viver... porque vale a pena.
Senão, não estaríamos cá.
As manualidades, como sempre,estão lindas.
Bjocas.
B.G.

Magri disse...

Jardineira:
Eu não vejo mesmo onde está o "tétrico":
Balanços, é normal e saudável que se façam de vez em quando (as empresas fazem-nos todos os anos), e quando nos apetece, não é precisa uma data específica.
A referência final à morte, também não a considero tétrica, já que para mim ela é apenas mais uma etapa da vida, uma mudança importante, se quiseres. E quanto mais serenos estivermos, menos receamos essa mudança. Por isso, falar nela (sem pressas, claro) é tão natural como falar de uma qualquer próxima viagem. Porquê tantos tabus e medos?
Bjinhos

Era uma vez um Girassol disse...

Um balanço de vida e uma conclusão!
Bom post, fazendo pensar...
A Vida vale a pena...Sim!
Beijinho

Espaços abertos.. disse...

Uma ponte descrita entre as imagens e um poema de um grande heroí da escrita portuguesa,as fotos enquadram-se em plena sintonia.

Bjs Zita

Luisa disse...

Concordo com os comentários anteriores: a vida vale a pena ser vivida porque nos traz muitas coisas belas.
Gostei do poema e dos teus barcos que são bem o símbilo da própria vida: balançam, perdem-se por vezes no mar mas acabam por chegar a bom porto.
Obrigada também pela visita ao Carl Larsson.

Om-Lumen disse...

A morte carnal é certa e nunca é um problema. Um dia adormecemos e continuamos a existir onde também sempre estivemos.

Na vida tudo ocupa o seu lugar no momento certo.

O infinito pulsar de luz sustém a vestimenta carnal para que possamos experimentar a vida na esfera do amor.

A vida até pode ser uma dura realidade para o corpo físico mas é uma viagem de amor fantástica para a alma...

Um abraço amigo.

Om-Lumen

o alquimista disse...

Tem encanto o teu espaço...

Beijinho

greentea disse...

gosto muito destes teus barcos!

Tinha um primo (faleceu o ano passado) que apanhava conchas e búzios por tudo o que é sitio e fazia barcos, caravelas, bonecos ...

um beijo para ti

teresa g. disse...

Contextualizando: ando a ensaiar uma música que fala da morte. Contaram-me uma história um pouco tétrica acerca dessa música (depois conto no particular). Daí que fiz o paralelismo. A morte pode ser passagem para quem vai, mas é perda para quem fica. E isso não é lá muito interessante, não é? Por muito que se tente incorporar o conceito de impermanência.

Então e o Michel, nunca mais 'bota palavra'?
:o)

Bjinhos

jorge esteves disse...

A morte nunce é problema: é inerente à Vida. Uma não exisitiria sem a outra. O mais, na Vida, o Tempo se encarrega de nos mostrar que a sabedoria de a viver plenamente apenas consiste na arte de tirar conclusões suficientes de premissas insuficientes...
E, caminhar, sorrindo.
Abraços!

jorge esteves disse...

...é verdade, ia-me esquecendo: claro que é um moliceiro! Velho, cansado, dormente, ali para os lados da Costa Nova. Onde vou amiúde tocar saudades, também velhas e cansadas, dos tempos que passei em S. Jacinto...)
Abraços!

bettips disse...

Obrigada...tu és Linda! Aqui tudo é ternurento. Bjinho

Aprendiz de Viajante disse...

Um balanço que faz pensar...

Um bom Domingo para ti.

david santos disse...

22 de abril, día de la tierra. Quién no la respeta, no respeta la humanidad.
22 of April, day of the land. Who does not respect it, does not respect the humanity.

22 d'avril, jour de la terre. Qui ne la respecte pas, ne respecte pas l'humanité.
22 نيسان يوم الارض. فمن لا يحترم ومن لا يحترم الانسانيه.
22 von April, Tag des Landes. Wer es nicht respektiert, respektiert nicht die Menschlichkeit
22日,一天的土地. 谁不尊重,不尊重人性. 4月の22、土地の日。
4月の22、土地の日。 それを尊重しないかだれが、人間性を尊重しない。
22 апреля - День земли. Кто не уважает его, не уважать человечество.
22 de Abril, dia da terra, quem não a respeita, não respeita a humanidade
22 της ημέραης Απριλίου, του εδάφους, που δεν το σέβονται, δεν σέβονται το Ανθρωπότητα
David Santos

Magri disse...

Agradeço a todos os que aqui deixaram o seu comentário.
Achei interessante terem surgido algumas reflexões a propósito de uma referência à morte, de que seria bom falar mais naturalmente e sem tabus.

Beijinhos para todos.