Os barcos são só para ilustrar:
(as etapas, a viagem, qual é a direcção)
O Poema, esse sim, é para pensar:
(Que Vida? Que balanço? Que conclusão?)
Barcos - colagens e pintura: Michel e Margri




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DEPOIMENTO
Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um Barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
Um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
Entre os rochedos onde se desfaz.
Mas o céu era belo
Quando a noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.
Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.
Miguel Torga, Em Orfeu Rebelde (1970)
Como Torga, faço por vezes o meu balanço. Não é obrigatório estar na recta final (há tantas etapas ao longo do percurso ...)
E, cada vez mais, a minha conclusão se assemelha à dele:
Com as dificuldades para ultrapassar; a alegria para reconfortar ; os erros para aprender e reflectir; com os outros para dar, para receber , ou para conhecer e tolerar a diversidade; com a dor para sair mais forte e apreciar a sua ausência, a beleza e o amor para confiar ....... com todas essas tempestades e alguma bonança, também digo que valeu e continua a valer a pena.
(E quando a Vida vale a pena, a Morte já não é um problema).
E, cada vez mais, a minha conclusão se assemelha à dele:
Com as dificuldades para ultrapassar; a alegria para reconfortar ; os erros para aprender e reflectir; com os outros para dar, para receber , ou para conhecer e tolerar a diversidade; com a dor para sair mais forte e apreciar a sua ausência, a beleza e o amor para confiar ....... com todas essas tempestades e alguma bonança, também digo que valeu e continua a valer a pena.
(E quando a Vida vale a pena, a Morte já não é um problema).
21 comentários:
Os Poemas de Torga deixam sempre uma mensagem fortissima! É um dos meus ídolos...
Bjosss
Eu vejo noutra perspectiva: o poema ilustra um trabalho muito bonito. Mas o que me encantou foram os gatos do post anterior.
Líndissimos.
Beijinhos.
Margri:
O Torga é sublime!!
E avida vale sempre a pena, em qualquer fase do percurso, mesmo quando o barco baloiça e a tormenta é grande; haverá sempre um porto de abrigo.
M.C.
Prontinha para embarcar! Posso?...
Bjinhos
Pour notre voyage dans la vie, nous ne devons pas forcément utiliser les autoroutes car les petits chemins sinueux que nous empruntons nous permettent d'apprécier les merveilles de la nature ou les petits coins que nous n'aurions pas vus sur les grandes routes et nous pouvons toujours faire un arrêt enrichissant dans un petit village.
Um beijinho verde
Epa, isto está um pouco tétrico! Não está ninguém com pressa, pois não?!
As colagens estão lindas, principalmente a segunda ;o)
(O poema também gostei, claro)
Bjinhos
Em qualquer lugar do percurso se pode encontrar beleza e razões para viver... porque vale a pena.
Senão, não estaríamos cá.
As manualidades, como sempre,estão lindas.
Bjocas.
B.G.
Jardineira:
Eu não vejo mesmo onde está o "tétrico":
Balanços, é normal e saudável que se façam de vez em quando (as empresas fazem-nos todos os anos), e quando nos apetece, não é precisa uma data específica.
A referência final à morte, também não a considero tétrica, já que para mim ela é apenas mais uma etapa da vida, uma mudança importante, se quiseres. E quanto mais serenos estivermos, menos receamos essa mudança. Por isso, falar nela (sem pressas, claro) é tão natural como falar de uma qualquer próxima viagem. Porquê tantos tabus e medos?
Bjinhos
Um balanço de vida e uma conclusão!
Bom post, fazendo pensar...
A Vida vale a pena...Sim!
Beijinho
Uma ponte descrita entre as imagens e um poema de um grande heroí da escrita portuguesa,as fotos enquadram-se em plena sintonia.
Bjs Zita
Concordo com os comentários anteriores: a vida vale a pena ser vivida porque nos traz muitas coisas belas.
Gostei do poema e dos teus barcos que são bem o símbilo da própria vida: balançam, perdem-se por vezes no mar mas acabam por chegar a bom porto.
Obrigada também pela visita ao Carl Larsson.
A morte carnal é certa e nunca é um problema. Um dia adormecemos e continuamos a existir onde também sempre estivemos.
Na vida tudo ocupa o seu lugar no momento certo.
O infinito pulsar de luz sustém a vestimenta carnal para que possamos experimentar a vida na esfera do amor.
A vida até pode ser uma dura realidade para o corpo físico mas é uma viagem de amor fantástica para a alma...
Um abraço amigo.
Om-Lumen
Tem encanto o teu espaço...
Beijinho
gosto muito destes teus barcos!
Tinha um primo (faleceu o ano passado) que apanhava conchas e búzios por tudo o que é sitio e fazia barcos, caravelas, bonecos ...
um beijo para ti
Contextualizando: ando a ensaiar uma música que fala da morte. Contaram-me uma história um pouco tétrica acerca dessa música (depois conto no particular). Daí que fiz o paralelismo. A morte pode ser passagem para quem vai, mas é perda para quem fica. E isso não é lá muito interessante, não é? Por muito que se tente incorporar o conceito de impermanência.
Então e o Michel, nunca mais 'bota palavra'?
:o)
Bjinhos
A morte nunce é problema: é inerente à Vida. Uma não exisitiria sem a outra. O mais, na Vida, o Tempo se encarrega de nos mostrar que a sabedoria de a viver plenamente apenas consiste na arte de tirar conclusões suficientes de premissas insuficientes...
E, caminhar, sorrindo.
Abraços!
...é verdade, ia-me esquecendo: claro que é um moliceiro! Velho, cansado, dormente, ali para os lados da Costa Nova. Onde vou amiúde tocar saudades, também velhas e cansadas, dos tempos que passei em S. Jacinto...)
Abraços!
Obrigada...tu és Linda! Aqui tudo é ternurento. Bjinho
Um balanço que faz pensar...
Um bom Domingo para ti.
22 de abril, día de la tierra. Quién no la respeta, no respeta la humanidad.
22 of April, day of the land. Who does not respect it, does not respect the humanity.
22 d'avril, jour de la terre. Qui ne la respecte pas, ne respecte pas l'humanité.
22 نيسان يوم الارض. فمن لا يحترم ومن لا يحترم الانسانيه.
22 von April, Tag des Landes. Wer es nicht respektiert, respektiert nicht die Menschlichkeit
22日,一天的土地. 谁不尊重,不尊重人性. 4月の22、土地の日。
4月の22、土地の日。 それを尊重しないかだれが、人間性を尊重しない。
22 апреля - День земли. Кто не уважает его, не уважать человечество.
22 de Abril, dia da terra, quem não a respeita, não respeita a humanidade
22 της ημέραης Απριλίου, του εδάφους, που δεν το σέβονται, δεν σέβονται το Ανθρωπότητα
David Santos
Agradeço a todos os que aqui deixaram o seu comentário.
Achei interessante terem surgido algumas reflexões a propósito de uma referência à morte, de que seria bom falar mais naturalmente e sem tabus.
Beijinhos para todos.
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